Foi naquele dia, como se as árvores nos embalassem no seu doce murmúrio ao vento, que eu compreendi que esse murmúrio não fora mais que a ilusão do teu sussurro, e que o meu arrepio era o vento que passava, e eu que jurava ser a tua respiração.
Em dias como esses, finais de tarde amenos, ainda fecho os olhos, e as árvores verdes não são mais que os teus dois olhos brilhantes, profundos, e toco o céu, de olhos fechados ainda, tão suave e doce como a tua pele, mas logo a saudade invade-me e abro os olhos, o ouvido não engana - não ouvira a tua voz.
No íntimo, ainda desejo fechar os olhos, abandonar-me ao sonho... mas tristemente apercebo-me de que com o tempo terei apenas algo de ti, um leve murmúrio, uma vaga memória, a desvanecer como um fim de tarde...
E o desejo, como cada novo amanhecer, pleno de esperança e forte em si mesmo.
Indubitavelmente insaciável.
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