Monday, September 1, 2008

Fim de Tarde

Foi naquele dia, como se as árvores nos embalassem no seu doce murmúrio ao vento, que eu compreendi que esse murmúrio não fora mais que a ilusão do teu sussurro, e que o meu arrepio era o vento que passava, e eu que jurava ser a tua respiração.

Em dias como esses, finais de tarde amenos, ainda fecho os olhos, e as árvores verdes não são mais que os teus dois olhos brilhantes, profundos, e toco o céu, de olhos fechados ainda, tão suave e doce como a tua pele, mas logo a saudade invade-me e abro os olhos, o ouvido não engana - não ouvira a tua voz.

No íntimo, ainda desejo fechar os olhos, abandonar-me ao sonho... mas tristemente apercebo-me de que com o tempo terei apenas algo de ti, um leve murmúrio, uma vaga memória, a desvanecer como um fim de tarde...

E o desejo, como cada novo amanhecer, pleno de esperança e forte em si mesmo.


Indubitavelmente insaciável.

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